Acerca de mim : Velho, ingénuo, uma vida na defesa do consumidor

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Mais e Menos em 2016

Mais: a Worten e o seu serviço de atendimento de reclamações, para quem tem cartão de cliente, que nem precisa de guardar as faturas de compras.

Menos: a Vodafone, prestadora de  serviços de "cobrador de fraque"relativamente a falsos serviços de valor acrescentado que suporta; a Caixa Geral de Aposentações, pela baralhada no cálculo de pensôes (diz e desdiz, como quem bebe um copo de àgua); a ENDESA e o seu serviço de faturação.  

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Há 49 anos ocorreram, a partir da tarde do dia 25, as trágicas inundações na região de Lisboa que originaram a morte de milhares de pessoas. A chuva intensa (em poucas horas mais de 110 mm de precipitação em Odivelas e na Tapada), conjugada com uma desordenada expansão urbana, explicaram a catástrofe. Recordo-me que estava, ao fim da tarde, a estudar na pastelaria Nova Iorque, na Av. dos Estados Unidos, e de que, quando quis voltar a casa, a 200 metros de distância, se tanto, no nº 8 da então Av 28 de Maio (hoje Av. das Forças Armadas), a inundação era tal que o tive de o fazer num autocarro de 2 andares, os únicos que ainda conseguiam atravessar a água. No dia seguinte, viajei para o Alentejo no carro de um colega e começámos a aperceber-nos da enorme devastação ocorrida no eixo Lisboa- Vila Franca; só mais tarde (as notícias naquela época levavam tempo) tivemos consciência da dimensão mais trágica da catástrofe: a das muitas centenas de vidas ceifadas. Não sei se os homens aprenderam a lição. Os ataques que têm sido feitos à Natureza, são de molde a não podermos descansar quanto a futuras e trágicas "surpresas".  

sábado, 19 de novembro de 2016


HOMENAGEM A ILÍDIO DO AMARAL

O doutor Ilídio Peres do Amaral foi meu professor a partir do princípio da década de sessenta do século passado, no curso de Geografia. Iniciámos, naquele ano de 1961, a frequência do curso, em Lisboa, uns 11 jovens. No 2ºano a turma era um pouco maior, seriam uns 14 ou 15 alunos, mas no 3º ano apenas por lá andavam 4 alunas! Era um ambiente familiar o do Centro de Estudos Geográficos, onde pontificava o Mestre ou Professor (conforme o uso de quem a ele se referia) Orlando Ribeiro.
Foi o Professor (escrevo-o apropriadamente com letra inicial maiúscula) Ilídio do Amaral quem nos abriu as portas do Centro de Estudos Geográficos, ambiente naquela altura de natureza "familiar" e ímpar pela sua qualidade de ensino e investigação , devida, a Orlando Ribeiro, mas bem  coadjuvado por Ilídio do Amaral. Sobre esse "ambiente familiar", não resisto a contar um episódio que nunca esqueci. Num fim de tarde desses meus primeiros tempos, tendo ficado a trabalhar no Centro, fui surpreendido pelo Prof. Ilídio que, admirado pela minha presença àquelas horas, me interpelou: "Ainda por aqui? Já lanchou?" e, perante a minha resposta negativa quanto ao lanche, dirigiu-se para a funcionária ali presente: " Dona Rita, faça lá, por favor, umas torradas e um chá, para o Estêvão que está aqui sem lanchar"...
O Prof. Ilídio do Amaral leccionou a primeira cadeira que frequentei no Curso, Geografia Física I, e orientou o meu último trabalho, a dissertação final de licenciatura.
Ilídio do Amaral, reúne, aos seus noventa anos de vida, um currículo ímpar: Professor Catedrático há muito Jubilado, dirigente do Instituto de Alta Cultura e do Instituto Nacional de Investigação Científica Tropical, Reitor da Universidade de Lisboa nos anos conturbados posteriores à Revolução, Membro da Academia das Ciências; tem mais de 400 títulos publicados.Tudo isto e muito mais foi realçado na sessão e no jantar de homenagem que lhe promoveram, há dois dias, o Instituto de Geografia e Ordenamento do Território e o Centro de Estudos Geográficos,em que tive a oportunidade de participar. Pela minha parte, quero aqui acrescentar, também, uma referência ao Homem vertical, humanista e amigo, que ao longo de uma vida  foi e, felizmente é, e o gosto de sabermos que conserva, aos noventa anos, todas as suas enormes faculdades intelectuais.      

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Dia do Não Fumador

Comemora-se todos os anos, a 17 de Novembro, o Dia do Não Fumador. Fumei durante quarenta anos, uma média de 30 cigarros por dia Deixei de fumar no último dia de 2002, cumprindo o que a mim mesmo tinha prometido um ano ano antes, ao entrar no novo ano. Deixar de fumar tem de partir de uma forte consciencialização sobre o mal que o tabaco provoca, implica uma grande força de vontade. É um ato que ganha em ser planeado, mas vale bem a pena. Quem escreve estas linhas sabe bem do que fala. Por inerência de funções, fui obrigado  assumir a presidência do Conselho de Prevenção  do Tabagismo durante vários anos, sendo um grande fumador. A incoerência era grande, o que me levava algumas vezes a dizer para comigo: "ou a lei (do tabagismo) muda ou eu deixo de fumar"! O facto é que a lei é que mudou! Um dia a minha secretária disse-me: "está ao telefone o senhor Ministro da Saúde, que lhe pretende falar". O Ministro, dr. Arlindo de Carvalho, vinha ouvir o que eu pensava sobre a ideia que ele tinha de promover a passagem da tutela do Conselho para o Ministério da Saúde...Assim aconteceu. Por mais que sentisse a pressão (ou, até, intuísse a reprovação) dos outros, não consegui, nesse período de grande stress profissional, derivado de outras funções que exercia, largar o maldito cigarro. Fi-lo, mais tarde, quando ninguém me pressionava, o Conselho já estava(e bem) na Saóde, eu  vivia a distensão própria do início da reforma e apoquentado por crónicas afeções respiratórias que me levavam a ter um sentimento claro de que, se não o fizesse, poucos mais anos viveria.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Consumatum Est (Natália Correia)

No caso consumado do consumo
em que o marchante de toda a tralha acampa
do apetite bem espremido o sumo
o consumido também consome a campa.

Vais do teu tempo à morte, homem sem humo.
Oco e lançado,mas não pela tua rampa.
Ditam-te o pasto; és rês e deitas fumo.
És só pressão; e não te salta a tampa.

E no último anel desta espiral,
com recibos por coluna vertebral,
do gesto aquisitivo, a estrénua caça

remexendo em ruínas e concheiros,
de humanos dias, só acha, verdadeiros,
restos de um anjo com dentadura falsa




quinta-feira, 6 de outubro de 2016

CONSUMMATUM EST

Consummatum est,
e eu me consumo
acervo de unhas que me dilaceram
e eu estacado
perfil – homem de figura,
mas assombrado.

Consummatum est,
por nascer ainda
no meu pecado.

Consummatum est,
Minha voz grita
(acaso não grita)
a minha blasfémia.

Consummatum est
,
Cristo retirado,
eu posto na cruz.

(Ruy Cinatti, de Corpo – Alma, editorial Presença, 1994 – colecção forma)

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Os serviços públicos que (não) temos

Englobo aqui os serviços prestados pela Administração Pública (Finanças, Saúde, Educação, etc) e os chamados serviços de interesse geral ou de interesse público, ou essenciais (fornecimento de água, eletricidade, gaz, comunicações, transportes, etc).

Imagem relacionada
Quanto aos primeiros, muito se tem progredido nas últimas décadas - Código de Procedimento Administrativo, Simplex, Lojas do Cidadão. Livro de Reclamações, etc - mas permanecem inamovíveis na sua tradicional burocracia alguns, como é o caso das Finanças.











Nota: Imagens retiradas da Internet

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Saudação

Saudação

Neste meu primeiro contacto convosco, as minhas saudações amigas. Espero poder oferecer-vos o blogue, com sumo, de um cidadão interveniente, de um consumidor atento, quiçá de um "gato escaldado".