HOMENAGEM A ILÍDIO DO AMARAL
O doutor Ilídio Peres do Amaral foi meu professor a partir do princípio da década de sessenta do século passado, no curso de Geografia. Iniciámos, naquele ano de 1961, a frequência do curso, em Lisboa, uns 11 jovens. No 2ºano a turma era um pouco maior, seriam uns 14 ou 15 alunos, mas no 3º ano apenas por lá andavam 4 alunas! Era um ambiente familiar o do Centro de Estudos Geográficos, onde pontificava o Mestre ou Professor (conforme o uso de quem a ele se referia) Orlando Ribeiro.
Foi o Professor (escrevo-o apropriadamente com letra inicial maiúscula) Ilídio do Amaral quem nos abriu as portas do Centro de Estudos Geográficos, ambiente naquela altura de natureza "familiar" e ímpar pela sua qualidade de ensino e investigação , devida, a Orlando Ribeiro, mas bem coadjuvado por Ilídio do Amaral. Sobre esse "ambiente familiar", não resisto a contar um episódio que nunca esqueci. Num fim de tarde desses meus primeiros tempos, tendo ficado a trabalhar no Centro, fui surpreendido pelo Prof. Ilídio que, admirado pela minha presença àquelas horas, me interpelou: "Ainda por aqui? Já lanchou?" e, perante a minha resposta negativa quanto ao lanche, dirigiu-se para a funcionária ali presente: " Dona Rita, faça lá, por favor, umas torradas e um chá, para o Estêvão que está aqui sem lanchar"...
O Prof. Ilídio do Amaral leccionou a primeira cadeira que frequentei no Curso, Geografia Física I, e orientou o meu último trabalho, a dissertação final de licenciatura.
Ilídio do Amaral, reúne, aos seus noventa anos de vida, um currículo ímpar: Professor Catedrático há muito Jubilado, dirigente do Instituto de Alta Cultura e do Instituto Nacional de Investigação Científica Tropical, Reitor da Universidade de Lisboa nos anos conturbados posteriores à Revolução, Membro da Academia das Ciências; tem mais de 400 títulos publicados.Tudo isto e muito mais foi realçado na sessão e no jantar de homenagem que lhe promoveram, há dois dias, o Instituto de Geografia e Ordenamento do Território e o Centro de Estudos Geográficos,em que tive a oportunidade de participar. Pela minha parte, quero aqui acrescentar, também, uma referência ao Homem vertical, humanista e amigo, que ao longo de uma vida foi e, felizmente é, e o gosto de sabermos que conserva, aos noventa anos, todas as suas enormes faculdades intelectuais.