Acerca de mim : Velho, ingénuo, uma vida na defesa do consumidor

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Novo esquema inventado por burlões
As autoridades norte-americanas estão a alertar a população para um esquema usado por burlões que consiste, basicamente, em atender ao telefone e responder à pergunta: "consegue ouvir-me?"
Susan Grant, diretora da proteção ao consumidor na Federação Americana do Consumidor explicou que os burlões gravam a resposta - "sim" - e usam-na depois como prova de que a pessoa concordou com encargos e contas extras cobradas nos cartões de crédito ou contas do telefone.
"Se responderem 'sim', fica gravado e eles usam [a resposta] para dizer que concordaram com alguma coisa", explica Grant, segundo a CBS.
É de realçar que a pergunta "consegue ouvir-me" não é a única usada neste esquema. O objetivo é obter uma resposta positiva e, por isso, os autores da fraude podem fazer perguntas como "é o dono da casa?" ou "já pagou a conta X?", segundo o jornal americano.
A diretora aconselha o público a simplesmente desligar quando desconfiar que algo na chamada está errado ou não reconhecer o número. "Sei que as pessoas pensam que é falta de educação desligar [a chamada] mas é uma boa estratégia".
As pessoas que já atenderam chamadas deste tipo são aconselhadas a alterar os dados dos cartões de crédito e vigiar as movimentações das contas bancárias, pois os burlões podem ter acesso aos dados pessoais.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Mais e Menos em 2016

Mais: a Worten e o seu serviço de atendimento de reclamações, para quem tem cartão de cliente, que nem precisa de guardar as faturas de compras.

Menos: a Vodafone, prestadora de  serviços de "cobrador de fraque"relativamente a falsos serviços de valor acrescentado que suporta; a Caixa Geral de Aposentações, pela baralhada no cálculo de pensôes (diz e desdiz, como quem bebe um copo de àgua); a ENDESA e o seu serviço de faturação.  

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Há 49 anos ocorreram, a partir da tarde do dia 25, as trágicas inundações na região de Lisboa que originaram a morte de milhares de pessoas. A chuva intensa (em poucas horas mais de 110 mm de precipitação em Odivelas e na Tapada), conjugada com uma desordenada expansão urbana, explicaram a catástrofe. Recordo-me que estava, ao fim da tarde, a estudar na pastelaria Nova Iorque, na Av. dos Estados Unidos, e de que, quando quis voltar a casa, a 200 metros de distância, se tanto, no nº 8 da então Av 28 de Maio (hoje Av. das Forças Armadas), a inundação era tal que o tive de o fazer num autocarro de 2 andares, os únicos que ainda conseguiam atravessar a água. No dia seguinte, viajei para o Alentejo no carro de um colega e começámos a aperceber-nos da enorme devastação ocorrida no eixo Lisboa- Vila Franca; só mais tarde (as notícias naquela época levavam tempo) tivemos consciência da dimensão mais trágica da catástrofe: a das muitas centenas de vidas ceifadas. Não sei se os homens aprenderam a lição. Os ataques que têm sido feitos à Natureza, são de molde a não podermos descansar quanto a futuras e trágicas "surpresas".  

sábado, 19 de novembro de 2016


HOMENAGEM A ILÍDIO DO AMARAL

O doutor Ilídio Peres do Amaral foi meu professor a partir do princípio da década de sessenta do século passado, no curso de Geografia. Iniciámos, naquele ano de 1961, a frequência do curso, em Lisboa, uns 11 jovens. No 2ºano a turma era um pouco maior, seriam uns 14 ou 15 alunos, mas no 3º ano apenas por lá andavam 4 alunas! Era um ambiente familiar o do Centro de Estudos Geográficos, onde pontificava o Mestre ou Professor (conforme o uso de quem a ele se referia) Orlando Ribeiro.
Foi o Professor (escrevo-o apropriadamente com letra inicial maiúscula) Ilídio do Amaral quem nos abriu as portas do Centro de Estudos Geográficos, ambiente naquela altura de natureza "familiar" e ímpar pela sua qualidade de ensino e investigação , devida, a Orlando Ribeiro, mas bem  coadjuvado por Ilídio do Amaral. Sobre esse "ambiente familiar", não resisto a contar um episódio que nunca esqueci. Num fim de tarde desses meus primeiros tempos, tendo ficado a trabalhar no Centro, fui surpreendido pelo Prof. Ilídio que, admirado pela minha presença àquelas horas, me interpelou: "Ainda por aqui? Já lanchou?" e, perante a minha resposta negativa quanto ao lanche, dirigiu-se para a funcionária ali presente: " Dona Rita, faça lá, por favor, umas torradas e um chá, para o Estêvão que está aqui sem lanchar"...
O Prof. Ilídio do Amaral leccionou a primeira cadeira que frequentei no Curso, Geografia Física I, e orientou o meu último trabalho, a dissertação final de licenciatura.
Ilídio do Amaral, reúne, aos seus noventa anos de vida, um currículo ímpar: Professor Catedrático há muito Jubilado, dirigente do Instituto de Alta Cultura e do Instituto Nacional de Investigação Científica Tropical, Reitor da Universidade de Lisboa nos anos conturbados posteriores à Revolução, Membro da Academia das Ciências; tem mais de 400 títulos publicados.Tudo isto e muito mais foi realçado na sessão e no jantar de homenagem que lhe promoveram, há dois dias, o Instituto de Geografia e Ordenamento do Território e o Centro de Estudos Geográficos,em que tive a oportunidade de participar. Pela minha parte, quero aqui acrescentar, também, uma referência ao Homem vertical, humanista e amigo, que ao longo de uma vida  foi e, felizmente é, e o gosto de sabermos que conserva, aos noventa anos, todas as suas enormes faculdades intelectuais.      

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Dia do Não Fumador

Comemora-se todos os anos, a 17 de Novembro, o Dia do Não Fumador. Fumei durante quarenta anos, uma média de 30 cigarros por dia Deixei de fumar no último dia de 2002, cumprindo o que a mim mesmo tinha prometido um ano ano antes, ao entrar no novo ano. Deixar de fumar tem de partir de uma forte consciencialização sobre o mal que o tabaco provoca, implica uma grande força de vontade. É um ato que ganha em ser planeado, mas vale bem a pena. Quem escreve estas linhas sabe bem do que fala. Por inerência de funções, fui obrigado  assumir a presidência do Conselho de Prevenção  do Tabagismo durante vários anos, sendo um grande fumador. A incoerência era grande, o que me levava algumas vezes a dizer para comigo: "ou a lei (do tabagismo) muda ou eu deixo de fumar"! O facto é que a lei é que mudou! Um dia a minha secretária disse-me: "está ao telefone o senhor Ministro da Saúde, que lhe pretende falar". O Ministro, dr. Arlindo de Carvalho, vinha ouvir o que eu pensava sobre a ideia que ele tinha de promover a passagem da tutela do Conselho para o Ministério da Saúde...Assim aconteceu. Por mais que sentisse a pressão (ou, até, intuísse a reprovação) dos outros, não consegui, nesse período de grande stress profissional, derivado de outras funções que exercia, largar o maldito cigarro. Fi-lo, mais tarde, quando ninguém me pressionava, o Conselho já estava(e bem) na Saóde, eu  vivia a distensão própria do início da reforma e apoquentado por crónicas afeções respiratórias que me levavam a ter um sentimento claro de que, se não o fizesse, poucos mais anos viveria.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Consumatum Est (Natália Correia)

No caso consumado do consumo
em que o marchante de toda a tralha acampa
do apetite bem espremido o sumo
o consumido também consome a campa.

Vais do teu tempo à morte, homem sem humo.
Oco e lançado,mas não pela tua rampa.
Ditam-te o pasto; és rês e deitas fumo.
És só pressão; e não te salta a tampa.

E no último anel desta espiral,
com recibos por coluna vertebral,
do gesto aquisitivo, a estrénua caça

remexendo em ruínas e concheiros,
de humanos dias, só acha, verdadeiros,
restos de um anjo com dentadura falsa